Para calcular o impacto da Reforma Tributária na sua empresa, não basta pegar a nova alíquota de IBS e CBS e aplicá-la sobre o faturamento.
É necessário comparar o sistema atual com o novo modelo, considerando tributos pagos hoje, créditos que poderão ser aproveitados, atividade da empresa, regime tributário, fornecedores, clientes e margem de lucro.
Duas empresas com o mesmo faturamento podem sentir efeitos completamente diferentes.
Por isso, a melhor forma de descobrir se sua empresa tende a pagar mais ou menos é fazer uma simulação baseada nos números reais do negócio.
Neste conteúdo, a Já Calculei Contabilidade explica quais informações precisam entrar nessa conta e apresenta um passo a passo para começar.
Reforma Tributária: quais são os novos impostos?
O primeiro passo é entender quais tributos sobre o consumo estão sendo substituídos.
A Reforma Tributária cria principalmente dois novos impostos:
- CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços: substitui PIS e Cofins.
- IBS — Imposto sobre Bens e Serviços: substitui gradualmente ICMS e ISS.
A transição ocorre em etapas.
Em 2026, temos a fase de testes, com alíquotas de 0,9% para CBS e 0,1% para IBS, observadas as regras de dispensa do recolhimento para quem cumprir as obrigações previstas.
Em 2027, PIS e Cofins são extintos e a CBS passa a ser efetivamente cobrada.
Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS são gradualmente reduzidos enquanto o IBS aumenta sua participação. Em 2033, o novo modelo estará integralmente implementado.
Portanto, a empresa precisa fazer projeções para diferentes momentos da transição, e não apenas para 2033.
Como calcular IBS e CBS na prática?
No novo sistema, olhar somente para o valor do imposto gerado nas vendas pode produzir uma conclusão errada. Isso acontece porque IBS e CBS utilizam uma sistemática de não cumulatividade.
De maneira simplificada, a lógica é:
- Tributos gerados nas vendas – créditos gerados nas aquisições = valor a recolher.
Imagine uma empresa que tenha R$ 100 mil em vendas durante determinado período.
Vamos considerar, apenas para fins didáticos, uma alíquota estimada de 26,5%.
O débito seria:
- R$ 100.000,00 × 26,5% = R$ 26.500,00
Agora suponha que a empresa tenha adquirido R$ 40 mil em bens e serviços e acumulado R$ 10.600,00 em créditos aproveitáveis.
Teríamos:
- R$ 26.500,00 – R$ 10.600,00 = R$ 15.900,00
Nesse exemplo, o valor líquido seria R$ 15.900,00.
Portanto, concluir que a empresa pagará necessariamente 26,5% do faturamento seria incorreto. É preciso analisar os créditos.
Quais despesas podem gerar créditos na Reforma Tributária?
Esse é um dos pontos mais importantes da simulação, e o primeiro passo é fazer um levantamento das compras e contratações da empresa, organizando-as por categoria.
Em uma empresa, podem existir despesas dedutíveis relacionados a uma série de categorias, dentre elas:
- Mercadorias e insumos;
- Energia;
- Aluguel empresarial;
- Serviços contratados;
- Sistemas e tecnologia;
- Equipamentos;
- Outras aquisições relacionadas à atividade.
Depois do levantamento de custos e despesas, a contabilidade precisa identificar quais operações efetivamente permitem apropriação de créditos tributários e em quais condições.
Esse tipo de levantamento é muito importante, já que empresas com estruturas de custos diferentes podem apresentar cargas efetivas bastante diferentes, mesmo com faturamentos semelhantes.
Como comparar o cenário atual com a Reforma Tributária?
Depois de levantar os dados, monte dois cenários.
Considere esta empresa hipotética:
- Faturamento mensal: R$ 200.000,00
- Tributos atuais considerados: R$ 24.000,00
Carga atual: 12%
Agora faça a projeção do novo sistema.
Suponha que os débitos de IBS e CBS totalizem R$ 53.000,00 e a empresa consiga aproveitar R$ 31.000,00 em créditos.
O resultado seria:
R$ 53.000 – R$ 31.000 = R$ 22.000,00
Comparação:
- Modelo atual: R$ 24.000,00
- Novo modelo simulado: R$ 22.000,00
Nesse cenário hipotético, haveria redução de R$ 2 mil.
Agora imagine a mesma empresa com apenas R$ 10 mil em créditos:
R$ 53.000,00 – R$ 10.000,00 = R$ 43.000,00
O impacto seria completamente diferente.
É justamente por isso que não existe uma resposta universal para a pergunta: “A Reforma Tributária vai aumentar meus impostos?”
Como calcular o impacto da Reforma Tributária sobre a margem de lucro da empresa?
Não analise apenas impostos. A pergunta mais importante é: “Quanto sobra para a empresa depois da Reforma Tributária?”
Considere um produto vendido por R$ 1.000,00.
Hoje, depois de custos e tributos, suponha que a empresa tenha uma margem de R$ 200,00.
Se a nova estrutura tributária reduzir essa margem para R$ 150,00 temos uma queda de:
R$ 50 ÷ R$ 200 × 100 = 25%
Mesmo que o aumento nominal do imposto pareça pequeno, o efeito sobre o lucro pode ser significativo. Por isso, a simulação deve calcular:
Receita – custos – despesas – tributos = resultado.
Depois de conhecer a carga efetiva projetada, a empresa poderá avaliar se os preços atuais continuam preservando a margem desejada.
No entanto, simplesmente repassar todo aumento tributário ao consumidor nem sempre será possível. Concorrentes podem possuir mais créditos, estruturas de custos diferentes ou regimes tributários distintos.
Por isso, a Reforma Tributária não exige só planejamento fiscal, na prática, ela também exige que seja feita uma boa análise de competitividade.
Como a Já Calculei Contabilidade pode ajudar você a calcular o impacto da Reforma Tributária na sua empresa?
Calcular os efeitos da Reforma Tributária exige muito mais do que aplicar uma nova alíquota sobre o faturamento. É necessário utilizar os dados reais da empresa para comparar o cenário atual com as diferentes etapas da transição.
A Já Calculei Contabilidade pode ajudar nesse processo levantando informações como faturamento, regime tributário, tributos pagos atualmente, custos, despesas, folha de pagamento, perfil dos clientes e operações que poderão gerar créditos de IBS e CBS.
A partir dessas informações, é possível construir simulações para responder perguntas importantes, como:
- Quanto a empresa paga de tributos atualmente?
- Qual poderá ser a carga efetiva de IBS e CBS?
- Quanto a empresa poderá aproveitar em créditos?
- A margem de lucro tende a aumentar ou diminuir?
- Será necessário rever os preços?
- O regime tributário atual continuará sendo interessante?
- Como a mudança pode afetar vendas para outras empresas?
O objetivo é transformar a Reforma Tributária em números aplicáveis à realidade do negócio.
Com planejamento e acompanhamento contábil, é possível identificar antecipadamente os pontos de maior impacto e avaliar medidas relacionadas a preços, contratos, fornecedores, fluxo de caixa e regime tributário.
A Já Calculei Contabilidade pode realizar essa análise considerando as características específicas da sua empresa e acompanhar as diferentes etapas da transição até a implementação completa do novo sistema.
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